March 18th 2007 03:25 pm
E o Bush veio ao Brasil
A primeira vez que ouvi falar da visita, achei que era mais um hoax. No entanto, a visita era fato.
Que estranho, o que ele vem fazer aqui? (além de detonar o trânsito na cidade)
Tudo o que a imprensa noticiava girava em torno do álcool. “Será que vai ser discutida a questão das taxas de importação do álcool nos EUA?“, diziam os jornalistas.
E eu já pensava: “Claro que não. Desde quando os EUA tem algum interesse em beneficiar o Brasil? É óbvio que este assunto não só não estará na pauta da visita como também, mesmo que discutido posteriormente, em nada vai resultar.”
Durante a visita, eu ouvia as notícias e então veio o anúncio do tal acordo de cooperação tecnológica entre Brasil e EUA. Sério, acordo de coperação tecnológica? Acordo, igual igual a vocês passaram anos investindo e pesquisando, agora nós vamos ver como é e produzir nosso próprio álcool. Isso para usar palavras bonitas e educadas. Eles não estão nem um pouco interessandos em facilitar a exportação do Brasil. Globalização e livre comércio valem até bater no quintal deles que eles cercam e protegem muito bem.
Alguns trechos de reportagens evidenciam muito bem isso tudo:
“No encontro com o presidente Lula em São Paulo não faltaram adjetivos para saudar a parceria estratégica EUA-Brasil em biocombustíveis, mas não houve concessões de Bush na questão da remoção das tarifas sobre o etanol exportado pelos brasileiros. É o combustível político do lobby agrícola nos EUA.”
fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u61591.shtml
“O presidenciável democrata americano Barack Obama disse à BBC Brasil que “o Brasil fez um excelente trabalho em estimular a sua indústria de combustíveis alternativos”. E acrescentou que “os Estados Unidos devem seguir esse exemplo”. Na semana passada, Obama elogiou a cooperação entre Brasil e Estados Unidos na área de biocombustíveis, mas alertou para os riscos de que o país venha a substituir a sua dependência de petróleo importado pela dependência do álcool brasileiro.”
fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u61598.shtml
É, são só elogios pra tal “cooperação tecnológica“.
Essa história toda leva a boas reflexões. Eu defendo a idéia de que conhecimento deve ser compartilhado. Sempre. Não quero que os EUA dependam do nosso combustível. Vendo o estrago que eles fazem no Oriente Médio, confesso que a idéia me dá medo. Por outro lado, o Brasil tem que ganhar com o fato de ter investido durante tanto tempo, de ter se antecipado na produção de biocombustível. Isso tem que quer ser um diferencial nosso. Seria legal, que de alguma maneiro isso pudesse nos ajudar. Fato é que me incomoda muito os EUA virem urubuzá em cima do nosso trabalho e da nossa tecnologia.
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4 Comments »





Aline on 21 Mar 2007 at 11:54 am #
Outra coisa que muito me incomoda nessa história toda é o fato de que, agora mais do que nunca, os produtores de cana possuem um grande incentivo para aumentar a sua produção. Isso significa, entre outras coisas, aumentar a área de cultivo. E como tudo aqui no Brasil, isso é realizado de forma desenfreada e sem uma reflexão sobre a questão ambiental e o desenvolvimento sustentável. Significa, entre outras coisas, destruir o que nos resta de vegetação natural, como por exemplo a própria floresta amazônica, para plantar cana.
E lá vamos nós, em pleno século XXI, seguir o que fazemos desde o período de colonização: vender cana a preço de banana…
Carla Duclos on 22 Mar 2007 at 1:00 am #
Aline,
Você levantou um ponto muito importante que é a questão do desenvolvimento sustentável, a questão do impacto da produção de álcool a partir da cana de açúcar. Isso é exetremamente relevante e importante para essa discussão do álcool como fonte de energia alternativa.
Uma notícia boa, pelo menos um pouco, é que ouvi na rádio Eldorado há cerca de 1 ou 2 meses, um pesquisador da Unicamp sendo entrevistado e falando sobre as novas tecnologias que já estão desenvolvidas na Unicamp (não ainda para escala industrial) para a produção do álcool. Entre elas, a tecnologia que permite a produção de etanol a partir do bagaço da cana, que é um grande problema de impacto ambiental no modelo de produção atual, entre outras coisas. Eu não me lembro mais detalhes, nem o nome do pesquisador, pois eu sempre ouço rádio no carro quando estou dirigiando e não consigo fazer anotações na hora e depois não me lembro dos detalhes. Mas achei muito interessante e fiquei otimista. A previsão era que em cerca de 5 a 7 anos estas tecnologias já estariam produtivas.
Claro que isso não é tudo. Há que se tomar cuidado com as área de plantação para que, como vc ressaltou, não se devaste nossas matas naturais e também para que não nos tornemos um país de monocultura da cana.
São questões complexas e acredito serem merecedoras de reflexões.
daniduc on 29 Mar 2007 at 11:51 am #
Fidel também deu pitaco:
http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2007/03/29/ult1808u88785.jhtm
Leo on 30 Mar 2007 at 2:32 am #
Eu ainda defendo a idéia de que Napalm é a solução…
(O problema ainda é a produção caseira em larga escala, o armazenamento e o transporte. Mas estou cuidando disso… Heheheh!!!)